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SPORTING CLUBE COURENSE

85 ANOS - 1932/2017

SPORTING CLUBE COURENSE

85 ANOS - 1932/2017

ENTREVISTAS...

O BLOG DO SPORTING CLUBE COURENSE INICIA HOJE UMA SÉRIE DE ENTREVISTAS COM OS TREINADORES DAS EQUIPAS DE COMPETIÇÃO DO CLUBE.

PRETENDE-SE DESTA FORMA DAR A CONHECER UM POUCO DA REALIDADE DO CLUBE, O SEU DIA A DIA E SOBRETUDO UM POUCO DA VIDA DE QUEM VOLUNTARIAMENTE TRABALHA EM PROL DO CLUBE.

INICIAMOS COMO NÃO PODIA DEIXAR DE SER COM O TIMONEIRO DOS "BENJAMINS" DO CLUBE, RICARDO MARINHO (LAUTA), OBRIGADO.

 

 

 

 


Nome?
Ricardo Carlos de Sousa Marinho
Data e local de nascimento?
Paredes de Coura, a 2 de Setembro de 1982.
Estado civil?
Solteiro
Habilitações literárias e desportivas?
Habilitações literarias: Licenciatura em Engenharia do Ambiente.
Habilitações desportivas: As habilitações desportivas são a experiencia adquirida ao longo de 5 anos ligados a formação e o que fui pesquisando e aprendendo ao longo desse tempo.
Profissão?
Neste momento estou a trabalhar num projecto ligado a construção civil.
Clube?
FC Porto.
Hobby?
Caminhadas, cinema, musica e futebol.
Comida favorita?
Roupa velha.
Filme favorito?
Gato Preto, Gato Branco de Emir Kusturica.
Musica favorita?
Rebellion (Lies) dos Arcade Fire.
 
 
 
 
Como começou a tua carreira como treinador?
Começou na época 2004/2005 quando o Luis Nogueira me convidou para ser adjunto dele na equipa de escolas do SC Courense. Apesar de não ter experiência nenhuma na formação a não ser como atleta decidi aceitar o desafio. Entretanto o Luis teve que abandonar o cargo e fiquei com a equipa de escolas o resto da época. E foi assim que começou tudo.
Há quanto tempo estás no clube?
Estou no SC Courense desde os 13 anos. Comecei a jogar nos iniciados e la permaneci ate aos juniores. Entretanto fui para a universidade e desliguei-me do SC Courense durante três anos. Até que regressei na época 2004/2005 como treinador da equipa de escolas. Resumindo estou ligado ao clube ha 11 anos.
Depois de uma aventura profissional no estrangeiro, como surgiu a possibilidade de voltares aos quadros do clube?
Quando regressei do estrangeiro tive uma proposta de um projecto ligado a construção civil em Paredes de Coura, decidi aceitar e fiquei por cá. No início de Setembro recebi um telefonema do António Gonçalves (actual Vice-presidente do SC Courense) a convidar-me para ser treinador da equipa de escolas. Dado que estava por Coura e a formação é algo que gosto muito, aceitei de imediato. Foi assim que regressei. 
Pode-se dizer que começar com a equipa mais jovem em termos de competição, é o teu maior desafio em termos de carreira, sabendo da dificuldade que é colocar crianças de 8 anos sem qualquer experiência em termos de futebol a competir?
Apesar de nao ser um desafio novo para mim, é sempre algo que me testa porque temos que dar tudo as crianças: a motivação necessária para que estejam no clube, trabalhar de forma a que elas se sintam bem, que sintam que fazem parte de um clube que está ali para as ajudar a crescer, temos de lhes transmitir os valores mais básicos, como o que é fazer parte de uma equipa, a responsabilidade de assumir um compromisso perante os colegas, o treinador e o clube, o valor da amizade e o respeito por todos, quer sejam colegas ou adversarios, e que por enquanto a escola é tudo, não o futebol. A par disto temos que lhes dar também os primeiros conhecimentos acerca de muitos aspectos acerca do desporto, explicar-lhes que a vontade e o trabalho são tudo para atingirmos os objectivos traçados, que nesta fase os resultados não são o mais importante mas sim aprender bem os conceitos do futebol, transmitir-lhes as noções mais básicas do jogo e fazer com que transportem todas essas coisas para dentro do campo. Por isso sim é um desafio enorme.
Como é que um jovem consegue conciliar a sua vida profissional, a sua vida pessoal com a necessária componente de diversão própria da idade e ainda a gestão da equipa de 2000, da importante ajuda na equipa de iniciados e ainda a equipa de futsal feminino da A. de Castanheira?
Felizmente todas essas partes da minha vida permitem-me conciliar toda esta actividade ligada ao futebol. Tenho sorte porque as pessoas que me rodeiam entendem que gosto muito de futebol, especialmente futebol juvenil, e apoiam-me nisso. Só assim é que consigo gerir o tempo de forma a estar presente em todos os compromissos.  
Centrando-nos na equipa de 2000, como está a decorrer a época?
A época está a decorrer melhor do que esperava. O grupo de miudos que encontrei em Setembro já não é o mesmo. A velocidade com que aprendem e a vontade com que trabalham levaram a que tenham crescido muito nestes meses. Tive a sorte deste grupo estar cheio de crianças inteligentes e com muita vontade de trabalhar. A compreensão deles acerca dos conceitos de jogo, acerca do corpo deles, a maturidade com que se apresentam nos treinos e nos jogos, e em especial a forma como já conseguem identificar e corrigir os próprios erros e os dos colegas, levam-me a dizer que a época está a correr muito bem. Em Setembro havia miudos que não sabiam sequer chutar uma bola, fazer uma recepção ou até um passe. Muitos tinham dificuldades em correr correctamente, em equilibrar-se, as noções de espaço e distância eram quase nulas e havia a questão da concentração dos miudos no treino, porque devido à curiosidade natural da idade a atenção deles dispersava-se facilmente para factores externos ao treino e centrava-se em pormenores que são dispensáveis. Estamos em Fevereiro e todas as crianças evoluiram muito em todos esses aspectos que referi. Ainda estamos a meio da época e alguns deles ja atingiram os objectivos que devem ser alcançados para esta fase da formação e os restantes para lá caminham. Levando em conta que os objectivos estão a ser cumpridos e em alguns casos até superados, então a época está a correr muito bem.
Perspectivas em termos de resultados, se é que se pode ou deve falar nisso nestas idades?
Os resultados na formação devem ser observados tendo em conta o que os miúdos aprendem ao longo dos treinos e dos jogos. Dessa forma, a perspectiva que tenho para esta equipa até ao final da época é animadora. Penso que a maioria dos miudos vão atingir o que pretendemos ainda antes do final da época, o que é óptimo porque assim vai haver tempo para consolidar todo esse conhecimento. Por isso as perspectivas são muito boas. Quanto aos resultados da parte competitiva, fizemos 13 jogos até agora. Vencemos quatro, empatamos quatro e perdemos em cinco. Analisando, o facto que mais sobressai é que em menos de metade dos jogos é que as equipas foram superiores a nós em termos de resultado final. Em termos exibicionais e de futebol praticado aí posso afirmar que apenas três equipas foram claramente superiores a nós. As perspectivas para o futuro na competição é melhorar, para os miudos terem também um factor de motivação que os queira fazer continuar a trabalhar e a permanecer no clube.   
 
 
 
 
Proponho agora uma análise em termos de evolução, aplicação, assiduidade, educação, mentalidade etc:
  • Xaneco
 O Xandre é o capitão de equipa e por vezes devia pensar mais nisso. É um miudo com muitas capacidades, mas o empenho tem de melhorar. Estou muito satisfeito com o trabalho dele e tem evoluido bastante, mas se se concentrasse mais era óptimo.
  • André
O André é o “adulto” do grupo. Muito responsável e muito trabalhador. Pena o que lhe aconteceu, mas com as qualidades que tem, quando regressar, rapidamente estará ao nivel dos outros.
  • Rafael
O Rafael é um dos miudos que quando chegou estava completamente desenquadrado do desporto. Hoje é um miudo que desenvolveu muitas capacidades, evoluiu muito e que sabe que sem concentração e trabalho não se chega a lado nenhum.
  • Hugo
O Hugo tem todas as caracteristicas que lhe permitem sentir a vontade no futebol. É inteligente, trabalhador e tem muitas qualidades a nivel fisico que fazem dele um bom atleta. Só tem de continuar sempre com esta atitude.
  • Diogo
É o mais calado do grupo.Faz tudo o que se lhe diz e quando tem de escolher, raramente toma opções erradas. Precisa é de por vezes estar mais atento no que faz para poder melhorar ainda mais.
  • Cris
O Cris tem garra, talento e muita vontade de aprender. Por vezes, durante os jogos e os treinos adormece um pouco. Apesar disso, cresceu muito em muitos aspectos e se continuar a trabalhar rapidamente atingirá os objectivos.
  • Tiago Alves
O Tiago apresenta muitas qualidades que lhe irão permitir evoluir e desenvolver todo o seu potencial. Para a idade é tecnicamente evoluido, inteligente dentro do campo e com grande espirito de sacrificio.Tudo isso leva-o por vezes a querer decidir sozinho, mas tem aprendido muito e a sua evolução é notória. É sem dúvida dos jogadores mais completos do campeonato.
  • Huguinho
O Huguinho trabalha muito e com muita vontade. Compreende perfeitamente as funções que tem de desempenhar, quaisquer que elas sejam. A relação que tem com a bola e a destreza fisica que apresenta, já faz dele um miudo muito interessante para este escalão.
  • Braga
É sem dúvida o miudo mais empenhado do grupo e o que faz mais perguntas. As qualidades estão todas lá, falta-lhe melhorar os indices fisicos, mas ainda está numa etapa de formação onde essas caracteristicas não são as mais relevantes. Se continuar assim, concerteza que será um miudo com que se pode contar nas próximas fases da formação.
  • David
O David é um caso semelhante ao do Braga. Aplico ao David o que disse do Braga. Ambos evoluiram muito e aos poucos têm ganho o seu espaço na equipa. 
  • Ribas
O Ribas, apesar de muitas vezes parecer alheado, compreende o que tem a fazer quer seja nos treinos ou nos jogos. Tem melhorado muito a nivel de concentração e trabalho, mas tem de trabalhar mais para ser ainda melhor. Ele sabe disso, e o jogo contra os Limianos foi uma excelente resposta. Não esperava tanto dele. Espero que continue. 
  • Telmo
O Telmo é um caso especial.É um miudo com muitas qualidades a nivel fisico mas isso não chega. Tem de melhorar no empenho, na concentração e sobretudo querer mais fazer parte do clube. Ainda assim, o Telmo de agora é muito mais crescido do que o Telmo que conheci em Setembro.
  • Pereirinha
O Pereirinha apareceu mais tarde na equipa. Aprendeu depressa alguns conceitos, mas ainda tem de se esforçar mais para atingir os objectivos para esta época. Tem de se apresentar mais vezes aos treinos e não falhar convocatórias. Só assim é que poderá continuar a crescer e a evoluir em etapas da formação mais avançadas.
Estás contente com os miúdos, em termos de evolução como equipa?
Depois de tudo que disse atrás, é claro que estou contente com todos.
Tens apoio da direcção, quer em presença e em termos logísticos?
Desde o início da época até agora, as coisas tem corrido muito bem. Os directores do nosso escalão tem sido incansáveis e o clube tem-nos proporcionado todas as condições para trabalhar sem sobressaltos. Temos um departamento de formação muito coeso e isso é essencial para que se continue a trabalhar bem.
O Relvado, foi o grande trampolim para de uma vez por todas a formação conquistar o seu espaço?
O relvado é, apesar de permitir outro tipo de aprendizagem, apenas uma motivação para os miúdos, porque para os miúdos jogar na relva é divertido comparando com os pelados. De facto, penso que a formação ainda não se afirmou definitivamente dentro do clube, ainda que a evolução nos últimos anos tenha sido imensa. Hoje em dia os sócios e os adeptos do clube valorizam muito mais o que se faz na formação, conhecem os miudos e vão apoia-los aos jogos. A direcção também tem vindo a mudar a visão que tinha da formação, e agora a formação já não se faz apenas porque é engraçado,porque tem de ser ou a ver o que vai dar. Agora já existe a noção de que a formação é o futuro do clube e traçam-se objectivos para todas as equipas e ainda bem que a direcção tem alterado a forma de pensar. Penso que pouco faltará para a formação ser a base do clube, mas para isso acontecer e a formação ganhar o espaço que merece, terá que ser desenvolvido dentro do clube um projecto a longo prazo, com objectivos bem claros, em que a finalidade será que os miudos acabem por aparecer na equipa sénior.
E os pais, parece que finalmente começamos a ver pais a acompanhar os filhos, mesmo nas deslocações a outros campos, a que achas que se deve isso?
Penso que há dois factores principais para isso acontecer. O primeiro é que a geração actual de pais tem uma consciência muito maior que as anteriores, que é preciso acompanhar os miudos na sua evolução, não so na escola, mas em todas as outras áreas. O outro factor é as crianças sentirem-se bem no clube e os pais saberem disso, por isso também gostam de acompanhar os jogos. A presença deles nos jogos e nos treinos são um voto de confiança enorme no trabalho que se faz, e se continuarmos assim penso que o número de pais envolvidos vai aumentar. Apesar de tudo isso, penso que se existisse mais vontade por parte de mais pais, as coisas poderiam correr muito melhor, porque faltas a treinos e em especial a convocatórias, passa para os miudos uma sensação de que o compromisso com o clube não é importante, que não é preciso assumir responsabilidades, e isso no final leva os miudos a desligarem-se do desporto e a transportar isso para outra áreas da vida. Ainda assim as coisas tem melhorado nos ultimos anos, o que significa que o trabalho desenvolvido é positivo.
Estando tu ligado ao futsal feminino, não achas que o S.C.Courense em articulação com a A. de Castanheira, deveria tentar captar elementos do sexo feminino, para aí fazerem a sua formação no futebol de 7, dado ser uma competição mista e depois dar o salto para o futsal?
A Associação de Castanheira tem feito um trabalho exemplar a nível do futsal feminino. Temos uma das equipas mais antigas do distrito e penso que estão lançadas as bases para se criar uma tradição muito forte no concelho a nível do futsal feminino. A maioria das jogadoras que fazem partem do plantel da A. Castanheira já lá estão há muitos anos e com toda a certeza por lá irão continuar, mas há que começar a pensar no futuro desta equipa. Não se pode esperar que miudas de 14 ou 15 anos entrem na equipa e comecem logo a jogar futsal. Isso é um processo que demora bastante tempo. A ideia de fazer a captação ainda durante o futebol de 7 e formar raparigas para mais tarde ingressarem no futsal é muito interessante, desde que haja acompanhamento dos dois clubes nessa formação. Se todo esse processo for feito correctamente, acho que existem todas as condições para pensar nesse esforço.
Qual foi o momento mais marcante para ti até ao momento esta época?
Foi quando os miudos me vieram todos abraçar a seguir ao jogo com o Barroselas.
E na carreira?
Durante a carreira tive dois momentos muito especiais. O primeiro foi quando, há quatro anos atrás, tive de deixar a equipa de infantis por causa dos estudos. Foi muito dificil deixar aqueles miudos com quem trabalhei durante três anos.Ainda hoje somos todos amigos e felizmente reencontrei alguns deles na equipa de iniciados. O outro momento foi no ano passado quando me encontrava no estrangeiro. Tinha começado a época como treinador da equipa de futsal feminino da A. Castanheira, mas saí por ir para o estrangeiro. Quando a equipa venceu a Taça e elas me ligaram a festejar nem quis acreditar. Seguramente que nunca irei esquecer esse gesto da parte delas.
Quem foi a pessoa mais importante para ti enquanto desportista?
Não houve uma pessoa apenas a ser importante. A primeira foi sem dúvida o meu avô, que desde que eu era pequeno levava-me sempre a ver os jogos do Courense quer fosse em Coura ou fora e além disso ia quase sempre ver os meus jogos quando comecei a jogar. Foi ele que me meteu o bichinho do futebol e do Courense. Depois tenho que falar do Berto Pires. Foi com ele que aprendi muito do que sei e ainda hoje quando tenho dúvidas ou quero saber mais dirijo-me a ele. A perspectiva que tenho do futebol juvenil e o interesse que tenho por esta área deve-se essencialmente ao Berto. E não posso deixar de falar também não numa pessoa, mas num grupo.A equipa de que fiz parte dos iniciados aos juniores foi importantissima para mim. Algumas das amizades que fiz no Courense ainda são das amizades mais fortes que tenho. Ainda hoje em dia nos damos todos bem e meia volta estamos a falar dos nossos tempos no Courense. Foi um grupo inesquecivel, com gente fantástica que nos ajudou a todos a crescer muito não só como atletas mas como pessoas. No fundo fizemo-nos homenzinhos no Courense e aprendemos muito uns com os outros. Todos aqueles anos foram uma grande aventura e ainda os recordo com muita saudade. E foi esse espirito que me fez continuar a estar ligado ao futebol e ao Courense. Se estes miudos que treino puderem dizer isto do clube daqui a uns anos, então acho que se fez um bom trabalho.
Planos para o futuro?
Continuar a trabalhar no projecto que estou, e se possivel, continuar ligado ao futebol de formação.
Estás satisfeito no clube, é para continuar?
Sim, claro que estou satisfeito.Quanto à continuação não me cabe a mim a resposta. Por mim contínuo, mas isso depende do que a direcção achar do meu trabalho e também da minha disponibilidade, mas penso que está tudo conjugado para continuar.
Qual o teu maior sonho para o clube?
Queria muito que se desenvolvesse um projecto para a formação a longo prazo.Um projecto que atravesse todas as etapas da formação, com objectivos claros, com a orientação de criar uma escola muito forte de formação em Coura.Definir a formação como prioridade do clube. Fazer da equipa sénior do clube um produto da formação e não utilizar a formação para tapar buracos da equipa sénior. Acho que é perfeitamente possivel de concretizar, desde que haja vontade da direcção do clube.
E pessoal?
Realizar os meus planos a nivel profissional.Esse é o meu grande objectivo.
 
 

PARABENS PELO TRABALHO E OBRIGADO