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SPORTING CLUBE COURENSE

85 ANOS - 1932/2017

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85 ANOS - 1932/2017

Entrevista...

ENTREVISTA - NOTICIAS DE COURA



AO FIM DE SEIS JORNADAS COURENSE É APENAS DÉCIMO

"Pantel é dos mais baratos dos últimos anos", salienta técnico Miguel Sá Pereira"

Miguel Sá Pereira, de 37 anos, foi a aposta de António Gonçalves para suceder a José Pequeno no comando técnico do SC Courense. Décimo classificado com seis pontos e eliminado da Taça da Honra pelo líder do campeonato, o Cerveira, do mesmo José Pequeno; o nosso entrevistado de hoje não se dá por derrotado. “Nada se ganha mas também nada se perde à 6ª jornada”. Natural de Barcelos, localidade onde fez toda a formação enquanto futebolista (Gil Vicente), Miguel é casado e tem uma filha de 8 anos, Ana Miguel. Formou-se em Jornalismo. Como treinador, tem o Nível I, feito na A.F. Braga e o Curso de Psicologia do Desporto e Actividade Física pelo Mestre José Neto. Ainda como treinador, antes de ingressar no SCC passou pelo Vila Boa, Creixomil, Leocadenses e S. Veríssimo. Miguel teve no pai (Sá Pereira, avançado que jogou na 1.ª Divisão Nacional na década de oitenta) a fonte de inspiração, na medida em que o mesmo teve uma importante carreira como jogador e como treinador. Aprendeu com ele os principais valores do desporto, como a dignidade, a honestidade e a frontalidade. E o futebol entrou cedo na sua vida. “O meu pai foi profissional de futebol e em criança comecei a frequentar os relvados e balneários dos clubes que ele representou. Desde logo comecei a ficar fascinado pelo mundo do futebol. O interesse em ser treinador aumentou quando o meu pai passou de jogador a treinador profissional. As portas sempre estiveram abertas e a curiosidade foi aumentando”.

Miguel, falemos deste início de época. Que balanço faz?
Em relação à Taça, fomos eliminados pelo actual líder do campeonato. Eliminados de forma atípica porque terminámos com oito e sofremos o golo da derrota ao minuto 94. Mesmo concordando que a vitória é sempre bem atribuída a quem marca, nesse jogo merecíamos ir mais além. No campeonato, não estamos satisfeitos mas não nos sentimos derrotados. Sem nos querermos amarrar a desculpas, tivemos as nossas duas derrotas em dois dos jogos iniciais (Cerveira e Monção) numa altura em que estávamos ainda à procura da consolidação dos nossos processos. É importante dizer-se que estamos a fazer uma equipa completamente nova, o que implica riscos. Estamos agora num ciclo de três jogos sem derrotas, que só não é de três vitórias por via de erros de avaliação arbitrais que nos custaram quatro pontos. Filmamos todos os jogos não para aquilatar o comportamento dos árbitros mas sim para nos estudarmos; e do visionamento do filme dos jogos resultou aquilo que já tinha ficado evidente: perderam-nos o respeito! As imagens valem mais do que mil palavras. Com esses quatro pontos estaríamos no 4º lugar e a cumprir desde já os objectivos estabelecidos para o final da época.

Quais são afinal os objectivos para o final da época?
Fazer melhor do que na época passada. O desafio que buscamos é que teremos que tentar ultrapassar o resultado atingido na época passada.

Está satisfeito com os níveis exibicionais da equipa?
A equipa foi penalizada nas derrotas, pois jogou bem. O jogo contra o Castelense foi aquele em que tivemos maiores dificuldades para colocar em prática a nossa identidade. Mesmo os outros treinadores falam à comunicação social e falam da importância e da dificuldade de conquistarem pontos à nossa equipa. Isso dá para aquilatar do nosso carácter e de que continuando a trabalhar desta forma conseguiremos atingir os nossos objectivos.

A equipa precisa de reforços?
Vamos com estes até ao fim. Tivemos que fazer ginástica orçamental. A equipa técnica não vai hipotecar o clube financeiramente. Este é reconhecidamente o plantel mais barato dos últimos anos mas isso não significa que seja dos mais fracos. Essa avaliação será feita no final. Foram estes os jogadores que escolhemos e serão estes os jogadores com que contaremos até final.

Sente que o plantel está consigo?
O plantel não tem que estar comigo. Não há individualidades. O plantel tem que estar com o SCC.

E em relação aos seus métodos de trabalho. Como acha que estão os atletas a reagir?
É normal que de início a identificação tenha sido difícil. Mas penso que nesta fase já percebem o que se pretende com os diversos processos do treino e começa a haver consolidação daquilo que utilizamos.

Como estão os associados, adeptos e simpatizantes a reagir a este mau início de temporada do clube?
Os verdadeiros adeptos do SCC, a gente de carácter, as pessoas que dão a cara pelo clube estão a ser muito importantes na nossa integração no clube e na região. Esses são sempre bem-vindos até porque nós evoluímos com a crítica. Agora, claro que há sempre intrusos.

Quem são os intrusos de que fala?
Não sei. O que importa é que da parte da direcção, jogadores e estrutura técnica haverá sempre honestidade, seriedade, dedicação, não sabemos ainda se vamos conseguir ser competentes para atingir os objectivos a que nos propusemos. Mas gostava que nos dessem o benefício da dúvida. Quando a equipa não ganha é normal que os sócios falem com o coração.

Sente-se pressionado pelos resultados?
Não estou satisfeito com os seis pontos mas não me sinto sob pressão. Há gente nova, quer na estrutura directiva, quer jogadores, quer na estrutura técnica e no final estarei aqui para dar a cara. Mas eles sabem que o meu lugar está sempre à disposição. Podem cortar com o vínculo quando quiserem. Estão no direito de o fazerem. Já saneámos a equipa financeiramente; renovámo-la, ficando com quase todos os atletas competentes de Paredes de Coura. Nino foi uma das poucas excepções ao não responder ao convite que lhe fiz, mais um ou dois jogadores que tínhamos referenciados no Castanheira que eu gostaria de ter, mas que houve um acordo de cavalheiros entre as duas direcções de que não iríamos lá buscar mais jogadores.


Está satisfeito com este passo que deu na sua carreira?

Sem dúvida. E tenho uma grande vontade em dar tudo a este projecto no sentido de o tornar vencedor. Sou um treinador jovem e ambicioso e é nas fases em que as coisas não estão bem que eu consigo ir buscar forças para me motivar e para persistir. Presidente e director técnico têm sido incansáveis no apoio à equipa. Clubes e dirigentes fragilizam ou solidificam treinadores. Neste aspecto tenho tido o privilégio de trabalhar com pessoas incansáveis no trabalho e dedicação ao clube. Desde o presidente António Gonçalves, ao director desportivo Nizo, à restante equipa técnica e médica, e à Susana, a nossa técnica de equipamentos.

Sente-se ameaçado?
Não que me sinta ameaçado, mas o futebol é um mundo de rivalidades. Sei que há muita gente que quer o meu lugar.

E o Miguel onde quer chegar como treinador?
Não terei certamente uma careira longa. tenho um tempo estabelecido para treinar. Dentro dele espero chegar às divisões nacionais.

Acredita que este SCC tem condições para aspirar um dia aos Nacionais?

Quando existir confluência de esforços entre clube, autarquia, sócios, habitantes, empresas, Paredes de Coura vai dar um salto qualitativo em relação a outras regiões do Alto Minho e quando houver um sentimento mais bairrista transportado para o futebol.

Em relação a esta época queria apelar aos sócios para ficarem tranquilos que a equipa vai ficar dentro dos lugares que dignificam o historial do clube.

Tem-se falado com insistência duma alegada agressão do Miguel ao treinador do Castanheira, Luís Carvalho. Quer comentar?

Não vou comentar essa questão. Se a pessoa em causa faz essa afirmação terá que provar nos locais próprios.